sexta-feira, 18 de abril de 2014

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LIXO AUTOMOTIVO

LATA VELHA
O triste destino dos carros
Se reciclados, eles valeriam um bom dinheiro. Mas as leis para isso estão emperradas
Afonso Capelas Jr. National Geographic Brasil - Especial Lixo - 12/2013 Victor Moriyama

Carros também morrem. E são abandonados nas ruas ou levados a "cemitérios", como este em São Paulo.
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Em tempos de trânsito cada vez mais caótico nas grandes cidades, a reputação dos automóveis anda arranhada. 

São eles os grandes vilões a atravancar uma
 eficiente mobilidade urbana. No Brasil, há ainda outro fator que denigre a imagem dos veículos automotores - no caso, aqueles que não estão mais rodando: a imensa frota nacional de carros abandonados. Relegados ao deus-dará nos pátios dos departamentos estaduais de trânsito por questões legais - ou até mesmo esquecidos pelas ruas por motivos como falta de pagamento de impostos ou multas em excesso -, eles são milhares espalhados pelas cidades brasileiras, incluindo motocicletas, ônibus e caminhões. 

Para agravar a situação, só em 2012 foram emplacados mais de 5,5 milhões de veículos 0 km, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). Isso significa que mais veículos deixarão de circular e terão como destino um
 ferro-velho qualquer. 

Além do
 perigo ambiental que representam, esses restos mortais de lata também revelam a fortuna que o país deixa de arrecadar por não reciclá-los. O Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa do Estado de São Paulo (Sindinesfa) estima que só 1,5% dos veículos fora de circulação é enviado àreciclagem. Nos Estados Unidos e na maioria dos países europeus, o índice alcança 95%. Segundo o Sindinesfa, tudo em um carro pode ser reaproveitado. Em especial, a carcaça e as demais peças de metal. Elas voltam a ser matéria-prima nobre para as indústrias siderúrgicas, que depois abastecem os fabricantes de novos veículos. 

Só a cidade de São Paulo abriga uma mina de ouro em carros que já não rodam mais e poderiam ser reprocessados. Em um dos maiores depósitos de veículos apreendidos do país, o Pátio Santo Amaro, milhares deles apodrecem, de forma perigosa, à beira do mais importante
 manancial de abastecimento de água da capital paulista, a represa de Guarapiranga, na zona sul da cidade. Na área de 80 mil metros quadrados, situada a menos de mil metros do manancial, estão armazenados cerca de 20 mil veículos, retirados das ruas pelo poder público. São automóveis e motocicletas roubados, com chassi adulterado ou com irregularidades a ameaçar de contaminação as águas que boa parte dos paulistanos bebe. Pela lei, cada um deles só poderia estar ali por até três meses. Caso os proprietários não regularizem a situação, esses automóveis deveriam ir a leilão. 

Mas grande parte dessa frota fantasma enferruja no Pátio Santo Amaro há mais de dez anos. A área é particular, e foi alugada pelo estado só para a guarda dos veículos irregulares. O que era para ser um bom negócio ao proprietário se transformou em estorvo e um grande imbróglio judicial, contra o governo, que se arrasta há anos. Amargando um prejuízo do tamanho de seu terreno, o proprietário demitiu os funcionários que cuidavam dos veículos, que agora estão à mercê das intempéries e dos ladrões, que abastecem de peças desmanches clandestinos. "O Tribunal de Justiça de São Paulo acaba de intimar, pela quinta vez, o governador para retirar os veículos daqui. E isso deve ser feito antes que aconteça um grande estrago ambiental", diz um representante do Pátio Santo Amaro, que não quis se identificar por temer represálias. Há muitas áreas semelhantes ao redor da represa de Guarapiranga.

Nem mesmo o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) sabe exatamente quantos veículos estão sepultados em cemitérios irregulares. Questionado, o Contran - por meio da assessoria de comunicação social do Ministério das Cidades, ao qual está subordinado - limita-se a dizer que o assunto é de competência de cada órgão de gestão viária dos estados e municípios. Mas reconhece que as questões legais emperram a liberação dos veículos para a reciclagem, já que "a alienação de sucata de veículo por órgão público deve cumprir de forma rigorosa a lei de licitações, e envolve muitas formalidades", informa a assessoria.
 

CARROS: É PRECISO RECICLAR MAIS - Sustentável na Prática

Afonso Capelas Jr.

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Você sabia que a carcaça de um automóvel velho pode ser 100% reciclada? E que essa mesma carcaça, transformada em sucata de aço, é totalmente reaproveitável pelas indústrias siderúrgicas, que a transforma em matéria-prima novamente? O problema é que muitos carros velhos não chegam às empresas recicladoras – que são muitas no Brasil – por causa de entraves burocráticos. Como resultado, só 1,5% dos carros que saem de circulação no Brasil é destinado à reciclagem. Isto às vésperas da efetiva implantação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS).
A grande maioria das carcaças que não seguem para a reciclagem é de veículos apreendidos pela polícia por questões judiciais diversas. Para ter idéia, só na cidade de São Paulo existem mais de 45 mil veículos abandonados pelos proprietários nos pátios dos órgãos de fiscalização do governo.

O mais absurdo: só à beira da represa de Guarapiranga, um dos maiores mananciais de água para o abastecimento da Região Metropolitana de São Paulo, existe milhares desses carros sucateados. “Podem chegar a mais de 20 mil”, diz o presidente do Sindicato das Empresas de Sucata de Ferro e Aço (Sindinesfa), Valentin Scamilla. “Eles representam um problema ambiental sério. Estão apodrecendo e podem contaminar a represa com a ferrugem e o vazamento de líquidos altamente tóxicos como óleos de freios e motor, além dos fluidos de resfriamento e das baterias”, alerta Scamilla.

No final do mês passado, o governo paulista anunciou que os 45 mil carros que se acumulam e entopem os pátios da fiscalização serão destruídos e vendidos como sucata para as indústrias de reciclagem. A medida só foi possível graças a uma autorização do Tribunal de Justiça de São Paulo.
Assim, os donos dos carros velhos terão 10 dias para regularizar sua situação, ou desistir dos veículos. “Para restituir seu automóvel, o proprietário terá que pagar multas e demais despesas. Acontece que a maioria desses carros já não tem mais valor econômico como veículo, somente como reciclagem”, explicou o secretário de Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, à Agência Brasil.

O presidente do Sindinesfa acredita que mesmo assim essa situação possa voltar a se repetir. “A solução seria pagar bônus aos proprietários com veículos velhos apreendidos, para que eles autorizem a reciclagem, como já acontece em vários países, e instituir pontos de coleta desses carros imprestáveis”.

Valentin informa que hoje, no Brasil, de 3 a 4 milhões de carros deveriam ser reciclados e garante que as empresas recicladoras estão totalmente equipadas para receber essas carcaças. “Assim, com a chegada da Política Nacional de Resíduos Sólidos, conseguiríamos aumentar a quantidade de aço reciclado no país de atuais 30% para 50%”.

A maior parte do aço recriado se transforma novamente em automóveis ou em vergalhões para a construção civil. Infinitamente. Os benefícios para o planeta são imensos: o processo de reciclagem reduz a poluição do ar em 85% e o consumo de água em 76%, se comparado à atividade de recorrer à natureza para retirar a matéria-prima básica. Mais: para cada tonelada de aço reciclado há uma economia de 1 140 quilos de minério de ferro, além de uma diminuição no consumo de 154 quilos de carvão e 18 quilos de cal.

No mundo todo, a Turquia é o país que mais reaproveita o aço dos automóveis. Lá, cerca de 80% deles são reciclados. É uma necessidade, já que os turcos não dispõem de grandes reservas de minério de ferro.

Carro abandonado é problema

Saiba o que fazer com aquele veículo caindo aos pedaços na sua rua e entenda o que a legislação diz sobre eles
Karina Craveiro
720 veículos abandonados foram recolhidos na capital em 2013 - AE/Tiago Queiroz
AE/Tiago Queiroz
720 veículos abandonados foram recolhidos na capital em 2013
A multa de R$ 14 mil por abandono de veículo parece não intimidar – o número de carros recolhidos das ruas pela Prefeitura de São Paulo não para de aumentar. Em 2011, 1.500 veículos “esquecidos” por seus proprietários viraram sucata. No ano seguinte, foram 2.260.
De janeiro até o mês passado, foram retirados das vias da cidade 720 veículos em estado de abandono. O destino deles são os leilões. Dez foram realizados no decorrer de 2013. 
A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), que recolhe os veículos que estejam parados em local proibido, realizou outros três leilões neste ano. Foram vendidos 1.741 carros como sucata, gerando arrecadação de R$ 2,1 milhões. O último pregão foi realizado na quinta-feira passada. 
Pelo telefone 156 ou no site sac.prefeitura.sp.gov.br, é possível denunciar um carro abandonado. Antes de o veículo ser removido, a Subprefeitura vai ao local e fixa uma notificação à carroceria, informando que o proprietário tem até cinco dias úteis para removê-lo. 
Se o responsável não se manifestar, o histórico do carro será checado. Se não houver empecilho, o veículo passa a ser considerado sucata e tem inicio o procedimento de remoção. 
Finais felizes
O administrador de empresas Paulo Rogério Adriani se considera um caçador de raridades. Apaixonado pela marca americana Dodge, ele estava a procura de um modelo diferente quando soube que havia um Intrepid em São Paulo.
Após fazer buscas em diversos pátios da Prefeitura, ele descobriu que o sedã estava no pátio de Guarulhos. “Mas, mesmo tendo os dados do carro, não consegui achá-lo, pois ele estava perdido entre mais de 10 mil veículos, esperando liberação para o leilão”, relembra. 
Dois anos depois, um amigo de Adriani foi ao mesmo pátio e encontrou o modelo. O administrador foi, então, correndo ver como o carro estava. 
Segundo ele, o Dodge, que havia sido tomado de seu antigo dono por falta de pagamento, estava no mesmo local desde 2001. Adriani arrematou o Intrepid em 2006, por R$ 12.750. “O motivo de eu querer resgatar esse carro é que se trata de um modelo raro no Brasil. Sei que existem, no máximo, sete unidades no País.” Ele gastou, com reparos e documentação, mais de R$ 20 mil. Mas agora o carro está tinindo. 
Já o empresário Raphael Faccioli diz que quase perdeu as contas do montante investido em uma Toyota Hilux 1995, que encontrou nos fundos de uma fábrica, em 2011. “Fiz uma bela reforma. Da última vez que somei, tinha gasto uns R$ 25 mil nessa picape”, conta.
Quando Faccioli o viu pela primeira vez, o modelo estava com o motor desmontado em cima da caçamba, vidros abertos e coberto por uma capa de poeira. O propulsor havia fervido e, por causa da dificuldade de encontrar peças e do alto custo de mão de obra para o reparo, o antigo proprietário encostou o carro. 
“Sou teimoso. Cismei com essa Hilux. Paguei R$ 7 mil para ficar com ela”, diz Faccioli, que levou a picape para casa para dar a primeira geral. O utilitário da Toyota ficou por 11 meses em uma oficina, onde foi feita a retífica do motor. “Se isso valeu a pena financeiramente, não sei ainda. Mas eu curti muito”, diz. 

















AMBIENTE

Frota de carros abandonados cresce na cidade

Subprefeituras criam programas de emergência para retirar das ruas veículos “vira-latas”Subaru Impreza: abandonado há três meses na Saúde, Zona Sul

1 de 13 Subaru Impreza: abandonado há três meses na Saúde, Zona Sul (Foto: Felipe Bertarelli)Mazda: abandonado há seis meses na Chácara Inglesa,  Zona Sul

2 de 13 Mazda: abandonado há seis meses na Chácara Inglesa, Zona Sul (Foto: Felipe Bertarelli)Towner: abandonado há um ano na Saúde, Zona Sul

3 de 13 Towner: abandonado há um ano na Saúde, Zona Sul (Foto: Felipe Bertarelli)Logus: abandonado há dois meses na Lapa, Zona Oeste

4 de 13 Logus: abandonado há dois meses na Lapa, Zona Oeste (Foto: Felipe Bertarelli)Fiorino: abandonado há um ano no Planalto Paulista,  Zona Sul

5 de 13 Fiorino: abandonado há um ano no Planalto Paulista, Zona Sul (Foto: Felipe Bertarelli)Blazer: abandonada na Praça da Árvore, Zona Sul

6 de 13 Blazer: abandonada na Praça da Árvore, Zona Sul (Foto: Felipe Bertarelli)Premium: abandonado na Lapa, Zona Oeste

7 de 13 Premium: abandonado na Lapa, Zona Oeste (Foto: Felipe Bertarelli)Mercedes: abandonada em Perdizes, Zona Oeste

8 de 13 Mercedes: abandonada em Perdizes, Zona Oeste (Foto: Felipe Bertarelli)Fusca: abandonado no Alto da Boa Vista, Zona Sul

9 de 13 Fusca: abandonado no Alto da Boa Vista, Zona Sul (Foto: Felipe Bertarelli)Kombi: abandonada no bairro Santo Amaro, Zona Sul

10 de 13 Kombi: abandonada no bairro Santo Amaro, Zona Sul (Foto: Felipe Bertarelli)Kombi: abandonada no bairro Santa Cruz, Zona Sul

11 de 13 Kombi: abandonada no bairro Santa Cruz, Zona Sul (Foto: Felipe Bertarelli)

 

 

 por Pedro Henrique Araújo

Parado há três meses na Alameda dos Guatás, no bairro da Saúde, Zona Sul, o Subaru Impreza 1995 está sem as rodas e os vidros. O que algum dia rodou por aí como um respeitável sedã importado hoje é uma assombração mecânica, completamente suja e enferrujada. Seu proprietário, o gesseiro Julio Freitas, de 36 anos, que mora em frente, confessa ter sido o responsável por largar ali o veículo. Ele explica que o automóvel foi roubado em 2009 e recuperado pela polícia pouco tempo depois. “Mas os bandidos depenaram o carro e não tenho dinheiro para comprar as peças de reposição”, explica.
Cenas parecidas se repetem em muitos pontos da capital. Na Rua Aurélia, Zona Oeste, um Logus, também fabricado em 1995, ocupa uma vaga há mais de dois meses, com a lataria chamuscada por um incêndio ocorrido no estacionamento de um supermercado. Na Saúde, Zona Sul, a porta de uma clínica veterinária é “decorada” com uma Towner 1991 caindo aos pedaços. O responsável pelo carro, que não quis revelar o nome, alega ter vendido o monstrengo para um ferro-velho, que até hoje não apareceu para retirá-lo.
Remoção de carcaça: o processo costuma se arrastar por, no mínimo, três meses
Remoção de carcaça: o processo costuma se arrastar por, no mínimo, três meses
Uma questão que dificulta a agilização do processo é a burocracia. Demora muito tempo para que o poder público possa tomar uma providência. A novela dura em média três meses para chegar ao fim. Depois de cinco dias estacionado num mesmo lugar, um carro pode ser denunciado. Um fiscal comparece ao local para avaliar a situação e, se comprovada a suspeita de abandono, deixa uma notificação grudada na porta do modelo. Passados mais cinco dias úteis, caso a situação persista, a subprefeitura responsável pela área pode retirar o veículo e mandá-lo para um dos 31 depósitos municipais. Se quiser reaver o bem, o proprietário terá noventa dias para pagar uma multa de 12.000 reais. Poucos fazem isso, pois o valor desses carros costuma ser menor do que o da infração. A etapa final consiste no leilão da sucata. Um quilo de ferragem é vendido, em média, por 30 centavos. Com isso, o Subaru 1995, triste fim, valeria no máximo 500 reais.
Diante dessas dificuldades, algumas subprefeituras criaram forças-tarefa para tentar dar conta do serviço num ritmo mais rápido. Foi o que aconteceu recentemente na Casa Verde. Nos últimos meses, os fiscais fizeram marcação cerrada sobre 200 proprietários até que eles arrumassem uma solução para as carcaças que haviam deixado nas vias do bairro. Em Santana, uma operação semelhante começou em 2009. O saldo até agora é de 235 remoções. “Os carros largados se tornam um grande obstáculo em vários aspectos”, afirma José Francisco Giannoni, subprefeito de Santana e Tucuruvi. “Eles diminuem as vagas para estacionamento, podem servir de casa para moradores de rua ou viciados e ainda dificultam a limpeza do local”, completa ele.
José Francisco Giannoni, subprefeito de Santana e Tucuruvi: “Eles se tornaram um grande obstáculo“
José Francisco Giannoni, subprefeito de Santana e Tucuruvi: “Eles se tornaram um grande obstáculo“: Pablo de
Alguns artistas paulistanos resolveram chamar atenção para o descaso transformando as latas-velhas em cenários de instalações. Na Vila Madalena, por exemplo, os restos de um Santana Quantum abrigam hoje arranjos de plantas e flores feitos pelos integrantes do projeto Natureza Urbana. A história começou em 2007 por iniciativa de moradores como o arquiteto Geandre Tomazoni. “Queremos dar vida a uma massa de materiais jogada na cidade”, afirma ele. Desde então, o grupo realizou quatro grandes obras do tipo. No começo, a decoração era constantemente roubada. Mas, com o passar do tempo, a sabotagem acabou. “As pessoas hoje nos ajudam a cuidar e dão sugestões para incrementar os trabalhos”, conta Tomazoni. “Certa vez, numa manhã, vi alguns funcionários de um estacionamento regando a Quantum.”
A iniciativa despertou a atenção de curadores internacionais, que chamaram o grupo em 2009 para fazer uma intervenção do gênero num automóvel durante uma exposição em Graz, na Áustria. “As pessoas ficaram muito impressionadas com o resultado”, diz Tomazoni. No ritmo atual, caso nada seja feito em São Paulo, não vai faltar matéria-prima para as obras dos criadores do Natureza Urbana.


quinta-feira, 17 de abril de 2014

KEPLER - 186f, Descoberto o 1º exoplaneta

Descoberto o 1º exoplaneta do tamanho da Terra em zona habitável

Kepler-186f orbita estrela anã a cerca de 500 anos-luz da Terra.
Sua distância do astro permite que tenha água em estado líquido.

Do G1, em São Paulo
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Ilustração mostra como seria o planeta Kepler-186f (Foto: NASA Ames/SETI Institute/JPL-Caltech)Ilustração mostra como seria o planeta Kepler-186f (Foto: NASA Ames/SETI Institute/JPL-Caltech)

O exoplaneta, denominado Kepler-186f, foi identificado por pesquisadores da Nasa usando o telescópio Kepler, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (17) na revista científica "Science".
Cientistas anunciaram a descoberta do primeiro planeta fora do Sistema Solar de tamanho similar ao da Terra e onde pode existir água em estado líquido, o que, em tese, o torna habitável.
"A intensidade e o espectro da radiação do Kepler-186f o colocam na zona estelar habitável, implicando que, se ele tiver uma atmosfera como a da Terra, então uma parte de sua água provavelmente está em forma líquida", diz o estudo. O telescópio Kepler permite identificar planetas em sistemas distantes medindo a quantidade de luz que eles bloqueiam quando passam na frente das estrelas que orbitam, ou seja, o equipamento não "enxerga" o planeta diretamente.
O Kepler-186f, que orbita a estrela anã Kepler-186, fica na constelação do Cisne, a cerca de 500 anos-luz da Terra. Ele é o quinto e mais afastado de um sistema de cinco planetas, todos com tamanho parecido com o da Terra.
"É extremamente difícil detectar e confirmar planetas do tamanho da Terra, e agora que encontramos um, queremos encontrar mais", disse em uma teleconferência Elisa Quintana, pesquisadora do Instituto para a Busca de Inteligência Extraterrestre (SETI).
Descobertas do Kepler
Em fevereiro, a agência espacial americana anunciou que o telescópio Kepler, que orbita a 149,5 milhões de quilômetros da Terra há cinco anos, tinha acrescentado 715 exoplanetas à lista de mil corpos que orbitam estrelas a uma distância que torna possível a existência de água e, portanto, de vida.
A busca de planetas similares à Terra é uma das maiores aventuras na pesquisa espacial, e embora já tenham sido detectadas centenas de planetas do tamanho do nosso e outros menores, eles circulam em órbitas próximas demais de suas estrelas para que haja água líquida em sua superfície.
Ilustração da Nasa mostra comparação entre a Terra e o Kepler-186f (Foto: Nasa)Ilustração da Nasa mostra comparação entre a Terra e o Kepler-186f (Foto: Nasa)

Folha de São Paulo

Momento histórico: encontramos outra Terra no Universo

POR SALVADOR NOGUEIRA
17/04/14  15:00
Desde a descoberta do primeiro planeta a orbitar uma estrela similar ao Sol, em 1995, a humanidade estava à espera deste anúncio. Finalmente ele chegou, com toda pompa e circunstância, num artigo publicado no periódico científico “Science”: encontramos um planeta praticamente idêntico à Terra orbitando outra estrela numa região que o torna capaz de abrigar água líquida — e vida — em sua superfície.
Concepção artística do planeta Kepler-186f: mesmo tamanho da Terra e capaz de abrigar água em estado líquido
Concepção artística do planeta Kepler-186f: mesmo tamanho da Terra e capaz de abrigar água
O anúncio foi feito na tarde de hoje numa entrevista coletiva conduzida pela Nasa (uma reportagem mais completa sobre o achado, produzida por este escriba, estará amanhã nas páginas da Folha). O planeta orbita uma estrela chamada Kepler-186 e tem, segundo as estimativas, praticamente o mesmo diâmetro da Terra — 1,1 vez o do nosso mundo. Até onde se sabe, ele é o quinto a contar de seu sol e leva 129,9 dias terrestres para completar uma volta em torno de sua estrela. Ou seja, um ano lá dura mais ou menos um terço do que dura o nosso.
A estrela-mãe desse planeta é uma anã vermelha com cerca de metade do diâmetro do nosso Sol, localizada a cerca de 490 anos-luz daqui. Um dos aspectos interessantes dessa descoberta em particular é que, além de estar na chamada zona habitável — região do sistema em que o planeta recebe a quantidade certa de radiação de sua estrela para manter uma temperatura adequada à existência de água líquida na superfície –, o planeta está suficientemente distante dela para não sofrer uma trava gravitacional. Caso fosse esse o caso, o Kepler-186f, como foi batizado, teria sempre a mesma face voltada para a estrela, como acontece, por exemplo, com a Lua, que sempre mostra o mesmo lado para a Terra. Embora modelos mostrem que a trava gravitacional não é um impeditivo definitivo para ambientes habitáveis (a atmosfera trataria de distribuir o calor), é sempre melhor ter um planeta com dias e noites, em vez de um em que um hemisfério é sempre aquecido pelo Sol e outro passa o tempo todo na fria escuridão.
Numa nota pessoal, lembro-me de ter já conversado antes com Elisa Quintana, pesquisadora da Nasa que é a primeira autora da descoberta. Em 2002, ela produziu uma série de simulações que mostravam que o sistema Alfa Centauri — o trio de estrelas mais próximos de nós, sem contar o Sol — podia abrigar planetas de tipo terrestre na zona habitável. Imagino a realização pessoal dela de, depois de “conceber” por tantos anos mundos como esse em computador, finalmente poder reportar uma descoberta dessa magnitude. Não de uma simulação, mas da fria realidade da observação!
Trata-se de um momento histórico. A partir de agora, os astrônomos devem se concentrar cada vez mais na busca de outros mundos similares à Terra e a Kepler-186f, gerando alvos para futuras observações de caraterização — a efetiva análise da composição desses mundos e suas atmosferas –, em busca, quem sabe, de evidências de uma outra biosfera.
Nosso planeta está prestes a ganhar muitas companhias.
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Nasa descobre primeiro exoplaneta habitável do tamanho da Terra

Jean Louis Santini
Em Washington

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OUTRA TERRA? - Astrônomos da Nasa (Agência Espacial Norte-Americana) encontraram um planeta similar à Terra, e que habita seu sol em uma zona onde poderia haver água líquida e talvez até vida. A descoberta, relatada na revista Science, do planeta chamado Kepler-186f, que está a 500 anos-luz da Terra, aumenta as esperanças de que possa haver outros planetas como o nosso no Universo. No sistema solar descoberto, orbitam a estrela que é a metade de nosso Sol e bem mais fria, outros quatro planetas. O Kepler-186f tem diâmetro 10% maior que o da Terra e não se sabe ainda qual é sua massa ou composição, apesar de acreditar-se que é um planeta rochoso como a Terra. As dúvidas são porque o planeta só é observado pela sombra que causa em sua estrela NASA Ames/SETI Institute/JPL-Caltech
Cientistas descobriram o primeiro planeta fora do sistema solar de tamanho semelhante ao da Terra onde pode existir água em estado líquido, o que o torna habitável.
A descoberta reforça a possibilidade de encontrar planetas similares à Terra na nossa galáxia, a Via Láctea, segundo uma equipe internacional de astrônomos liderada por um profissional da Nasa. O trabalho foi publicado na edição desta quinta-feira (17) da revista científica americana Science.
"É o primeiro exoplaneta do tamanho da Terra encontrado na zona habitável de outra estrela", destaca Elisa Quintana, astrônoma do centro de pesquisas Ames, da Nasa, que ficou à frente da pesquisa.
"O que torna esta descoberta algo particularmente interessante é que este planeta, batizado de Kepler-186f, tem o tamanho terrestre e está em órbita ao redor de uma estrela classificada como anã, menor e menos quente do que o Sol, na zona temperada onde a água pode ser líquida", afirmou.
Considera-se que esta zona seja habitável porque a vida como a conhecemos tem possibilidades de se desenvolver naquele ambiente, segundo os pesquisadores.
Para Fred Adams, professor de Física e Astronomia da Universidade de Michigan, "trata-de de um passo importante na busca para descobrir um exoplaneta idêntico à Terra".
Nos últimos vinte anos foram detectados cerca de 1.800 exoplanetas, dos quais cerca de vinte orbitam ao redor de sua estrela em uma zona habitável. Mas esses planetas são muito maiores do que a Terra e, por isso, é difícil, devido ao seu tamanho, determinar se são de composição gasosa ou rochosa.
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Onde pode existir vida fora da Terra?14 fotos

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Concepção artística mostra o sistema planetário da estrela Gliese 667C, localizada na constelação do Escorpião, a 22 anos-luz de distância. Estudos anteriores já haviam descoberto que a estrela acolhia três planetas (b, c e d), sendo que um deles estava na zona habitável (mancha verde). Como a Gliese 667C é muito mais fria e tênue do que o nosso Sol, a zona habitável fica dentro de uma órbita do tamanho da de Mercúrio, ou seja, muito mais próxima da estrela do que ocorre no Sistema Solar. Agora, uma equipe internacional de astrônomos voltou a estudar o sistema e encontrou evidências da existência de ao menos seis exoplanetas (falta confirmação do h), aumentando para três o número de candidatos com chances de abrigar vida fora da Terra Leia mais ESO
490 anos-luz do Sol
Segundo modelos teóricos sobre a formação planetária, estabelecidos a partir de observações, os planetas que têm raio 1,5 vez inferior ao da Terra têm poucas chances, por causa do seu tamanho, de acumular uma atmosfera espessa como os planetas gasosos gigantes do nosso sistema solar.
"Nestes anos aprendemos que há uma transição líquida entre os exoplanetas cujo raio é 1,5 vez o da Terra", explica Stephen Kane, um astronauta da Universidade de San Francisco, co-autor da descoberta.
"Quando o raio é entre 1,5 e 2 vezes o do raio terrestre, os planetas são grandes o suficiente para acumular uma atmosfera espessa de hidrogênio e hélio", acrescentou.
O exoplaneta Kepler-186f tem raio 1,1 vez maior do que o da Terra e entra na categoria de planetas rochosos do nosso Sistema Solar, como Terra, Marte e Vênus.
"Levando em conta o pequeno tamanho do planeta, tem grandes possibilidades de ser rochoso e ter uma atmosfera. Se essa atmosfera oferecer boas condições, a água pode existir em estado líquido na superfície", explica à AFP Emelie Bolmont, pesquisadora da Universidade de Bordeaux, França, que participou da descoberta.
Bolmot acrescentou que, para se ter certeza de que é realmente rochoso, "seria preciso obter a massa do planeta, o que não é possível com os instrumentos atuais".
O Kepler-186f está em um sistema estelar situado a 490 anos-luz do Sol (um ano luz = 9,46 trilhões de quilômetros) e conta com outros cinco planetas, todos de tamanho parecido com o da Terra, mas situados fora da zona habitável.
Em novembro de 2013, os astrônomos consideraram que existem bilhões de planetas de tamanho terrestre potencialmente habitáveis. Essa conclusão se baseia nas observações do telescópio espacial Kepler, lançado em 2009 para esquadrinhar mais de 100 mil planetas similares ao nosso e situados nas constelações de Cisne e Lira.

Confirmada descoberta de primeiro exoplaneta potencialmente habitável

Washington, 17 abr (EFE).- A Nasa (agência espacial americana) anunciou nesta quinta-feira a descoberta de um planeta de tamanho aproximado ao da Terra e no qual pode existir água em forma líquida.

O planeta, que orbita a estrela anã Kepler-186 e que recebeu o nome provisório de Kepler-186f, fica na constelação do Cisne, a cerca de 500 milhões de anos luz da Terra. Ele foi analisado pelos telescópios Gemini North, de oito metros, e Keck II, de dez metros, ambos instalados em Mauna Kea, no Havaí.

"É extremamente difícil detectar e confirmar planetas do tamanho da Terra, e agora que encontramos um, queremos encontrar mais", disse em uma teleconferência Elisa Quintana, pesquisadora do Instituto para a Busca de Inteligência Extraterrestre (SETI).

"As observações de Keck e de Gemini combinadas com outros dados e cálculos numéricos nos permitem acreditar 99,98% que Kepler-186f é real", declarou Thomas Barclay, do Instituto de Pesquisa Ames, da Nasa.

Em fevereiro, a agência espacial americana anunciou que o telescópio Kepler, que orbita a 149,5 milhões de quilômetros da Terra há cinco anos, tinha acrescentado 715 exoplanetas à lista de mil corpos que orbitam estrelas a uma distância que torna possível a existência de água e, portanto, de vida.

A busca de planetas similares à Terra é uma das maiores aventuras na pesquisa espacial, e embora já tenham sido detectadas centenas de planetas do tamanho do nosso e outros menores, eles circulam em órbitas próximas demais de suas estrelas para que haja água líquida em sua superfície.

O Kepler-186f é o quinto e mais afastado de um sistema de cinco planetas, todos com tamanho parecido com o da Terra.

A intensidade e o espectro de radiação da estrela coloca o Kepler-186f na zona estelar habitável, ou seja, se o planeta tivesse uma atmosfera e água em sua superfície, como a Terra, essa água provavelmente existe em forma líquida. 

HIPOPÓTAMOS RIVAIS CROCODILOS GUERRA PELA SOBREVIVÊNCIA

16/04/2014 15h14 - Atualizado em 16/04/2014 19h52

Grupos de hipopótamos e crocodilos 'rivais' se encontram em rio da África

Mamíferos recuaram após perceberem que répteis eram maioria.
Registro foi feito por fotógrafo durante sobrevoo em Zâmbia.

Do G1, em São Paulo
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Hipopótamos recuam após encontrarem pelo caminho dezenas de crocodilos famintos (Foto: Marc Mol/Mercury Press)Hipopótamos recuam após encontrarem pelo caminho dezenas de crocodilos famintos (Foto: Marc Mol/Mercury Press)
Durante um sobrevoo de helicóptero, um fotógrafo clicou o momento em que exemplares de dois dos mais temidos animais de rios da África, os hipopótamos e os crocodilos, se encontram em um curso d'água de Zâmbia.
Marc Mol, acostumado a fotografar a vida selvagem, disse que se surpreendeu ao testemunhar a retirada “vergonhosa” de hipopótamos das águas quando se depararam com dezenas de crocodilos.
O motivo da “saída pela tangente” dos mamíferos fica claro quando se observa a imagem com atenção: além de serem minoria, os répteis já avançavam sobre uma carcaça de hipopótamo na margem do rio. Certamente, ninguém ali queria ser mais uma presa
No detalhe, é possível observar grupo de répteis atacando carcaça de hipopótamo na margem do rio (Foto: Marc Mol/Mercury Press)No detalhe, é possível observar grupo de répteis atacando carcaça de hipopótamo na margem do rio (Foto: Marc Mol/Mercury Press)
Detalhe da imagem mostra hipopótamos recuando em rio da Zâmbia (Foto: Marc Mol/Mercury Press)Detalhe da imagem mostra hipopótamos recuando em rio de Zâmbia (Foto: Marc Mol/Mercury Press)

sexta-feira, 11 de abril de 2014

BENEFÍCIOS COM PROJETOS DE PRESERVAÇÃO NA MAZÔNIA

110 mil pessoas são beneficiadas com projetos de preservação

Iniciativas promoveram a proteção de 28 espécies de animais em seis anos

Por: Redação ORM News, com informações da Petrobras
Um total de 124 projetos sociais e ambientais na Amazônia recebem patrocínio da Petrobras e estendem seus benefícios a mais de 110 mil pessoas com atividades de educação ambiental e geração de renda. Os projetos Conservação de Vertebrados Aquáticos Amazônicos (Aquavert), Pacto das Águas e Encauchados Vegetais da Amazônia estão entre os destaques. Em seis anos, a companhia investiu R$ 1,9 bilhão em projetos ambientais e sociais em todo o país, sendo R$ 110,8 milhões nas 124 iniciativas da Amazônia. Neste período, as iniciativas promoveram a proteção de 28 espécies de animais nativos. 
O Projeto Aquavert, do Instituto Mamirauá, conserva e monitora as espécies nativas ameaçadas de extinção, nas Reservas Mamirauá e Amanã, na região do Médio Solimões, no Amazonas, o que dá uma área de mais de três milhões de hectares. O trabalho realizado nas áreas de proteção garantiu nascimento de aproximadamente 42 mil filhotes de quelônios e o monitoramento de mil tartarugas-da-amazônia, espécie mais ameaçada da região. Além disso, pesquisadores marcaram e monitoraram 40 fêmeas de jacaré-açu e reabilitaram dez filhotes de peixes-boi amazônicos. Três destes filhotes serão devolvidos à natureza em 2014. 
Já os projetos Pacto das Águas e Encauchados Vegetais da Amazônia, têm a floresta como foco de suas atividades e preservam, juntos, uma área de cerca de 2,3 milhões hectares. Neste ano, o Pacto das Águas ampliou a área protegida de 800 mil hectares para 1,9 milhão de hectares e beneficia um total de 3 mil pessoas. Ele conta com a participação de povos indígenas e seringueiros que, de 2007 (quando o projeto foi criado) a 2012, realizaram o plantio de 1,2 milhão mudas de espécies nativas, como açaí, pupunha, castanheira e cerejeira, e a produção de 90 toneladas de borracha e de cerca de 1,5 milhão de quilos de castanha do Pará, que gerou R$ 4,8 milhões para os povos da floresta.  
Desde o seu início em 2009, o Projeto Encauchados Vegetais da Amazônia beneficiou mais de 1.500 pessoas, em 17 municípios do Acre, Amazonas, Pará e Rondônia. Povos indígenas, seringueiros, ribeirinhos, quilombolas e agricultores familiares que participam da iniciativa desenvolveram, em parceria com pesquisadores, uma tecnologia de baixo custo que utiliza o látex extraído de seringueiras nativas misturado a fibras vegetais, tais como caroço e fibra do açaí, pó de madeira e ouriço da castanha, para a produção de artesanatos, conhecidos como encauchados. Com produção anual de 10 mil litros de látex de seringueiras nativas, já foram produzidos 100 mil peças artesanais desde o início do projeto.  Por meio da iniciativa, foi possível aumentar em 60% a geração de renda dos produtores e proteger uma área que hoje totaliza aproximadamente 370 mil hectares.