segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

RIOS VOADORES DA AMAZONIA

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clima
Conheça os Rios Voadores Imagine um rio do tamanho do rio Amazonas, o maior do planeta, mas invisível! Pois é assim que são os rios voadores. Com enormes quantidades de vapor de água, eles percorrem o Brasil de Norte a Sul e são responsáveis por boa parte das chuvas no país
Thays Prado  Planeta Sustentável- 20/03/2009
menos aA mais
Você sabe de onde vem a chuva? Acertou quem disse: das nuvens cheias de vapor de água que se condensam quando encontram uma frente de ar mais fria e caem sob a forma de gotas.

Agora responda: e de onde vem o vapor de água? Essa resposta não é tão simples quanto a primeira. E muita gente, inclusive os adultos, pensa que o vapor vem apenas do oceano em direção ao continente e faz chover quando chega por aqui.

O que os cientistas e um piloto de avião - o inglês, naturalizado brasileiro, Gérard Moss - acabaram de descobrir é que boa parte do vapor vem da Amazônia! Durante um ano e meio, eles voaram em um avião leve, acompanhando o caminho que os vapores de água faziam até chegarem ao Sul e ao Sudeste do Brasil.

Os vapores que chegam do oceano Atlântico, fazem chover na Amazônia. Ali, ¼ da chuva fica nas folhas das árvores e evapora, voltando para a atmosfera, e mais 2/4 são absorvidos pela vegetação e também voltam a ser vapor de água por causa da transpiração das árvores.

A quantidade de vapor de água que sai da Amazônia é gigantesca! Cada árvore de grande porte da floresta evapora e transpira 300 litros de água por dia! E quando os ventos não sopram do mar para o continente, as espertas árvores, mais do que depressa, usam suas raízes para retirar água dos lençóis freáticos, garantindo que a evaporação e a transpiração continuem acontecendo com a mesma intensidade.

Com a “evapotranspiração” das árvores da floresta, chegam a se formar enormes rios de vapor de água, que são conhecidos como “rios voadores” e não podem ser vistos a olho nu. Juntos, os rios voadores têm mais água do que o rio Amazonas, que é o maior do mundo. A diferença é que, no rio Amazonas, a água está no estado líquido e nos rios voadores, ela está em estado gasoso.

Dali, os ventos levam esses rios voadores para perto da Cordilheira dos Andes, que é bem alta, não deixa os ventos passarem e os empurram de volta para o Brasil, a Argentina e o Uruguai. Sempre que os rios voadores estão presentes na atmosfera de uma cidade, a chance de chover é bem maior (Não entendeu muito bem? Veja a animação).

Por isso, é muito importante cuidar da floresta amazônica. Se o ser humano continuar destruindo suas árvores, a quantidade de vapor de água que chega ao restante do país vai ficar desregulada. Assim, podem acontecer grandes tempestades em alguns lugares e secas muito fortes em outros.

Preservar a Amazônia é a melhor saída para evitar que isso aconteça.


O que são os rios voadores?

São imensas massas de vapor d’água que, levadas por correntes de ar, viajam pelo céu e respondem por grande parte da chuva que rola em várias partes do mundo

O principal rio voador do Brasil nasce no oceano Atlântico, bomba de volume ao incorporar a evaporação da floresta Amazônica, bate nos Andes e escapa rumo ao sul do país. “O vapor d’água que faz esse trajeto é importantíssimo para as chuvas de quase todo o Brasil”, afirma o engenheiro agrônomo Enéas Salati, da Universidade de São Paulo (USP). Veja a seguir os meandros impressionantes dessa gigantesca corredeira voadora.

Corredeira voadora
Volume de água que circula pelo céu é similar à vazão do rio Amazonas

1- O rio voador nasce no oceano Atlântico. A água evapora no mar, perto da linha do Equador, e chega à floresta Amazônica empurrada pelos ventos alísios. Esse blocão de vapor passa rasante: 80% dele voa a, no máximo, 3 quilômetros de altura

2- A vazão desse aguaceiro aéreo é da ordem de 200 milhões de litros por segundo (similar à do rio Amazonas), fazendo da Amazônia uma das regiões mais úmidas do planeta, além de provocar as chuvas que desabam diariamente por toda a região

3- Enquanto passa sobre a floresta, o rio voador praticamente dobra de volume. Isso ocorre porque, ao absorver mais radiação do Sol do que o próprio oceano, a mata funciona como uma gigantesca chaleira, liberando vapor com a transpiração das árvores e a evaporação dos afluentes que correm no solo

4- No oeste da Amazônia, a massa de umidade encontra uma barreira de montanhas de 4 quilômetros de altura, a cordilheira dos Andes, que funciona como uma represa no céu, contendo a correnteza aérea do lado de cá

5A- Boa parte do vapor fica acumulada nos próprios Andes, sob a forma de neve. Ao derreter, essa água desce as montanhas, dando origem a córregos que, por sua vez, formarão os principais rios da bacia Amazônica, como o Amazonas

5B- Nem todo vapor que encontra os Andes fica por ali. Cerca de 40% dessa cachoeira celeste segue rumo ao sul. A umidade passa por Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, terminando a viagem no norte do Paraná, cerca de seis dias depois

6A - Enquanto flui em caudalosos veios rumo ao mar, muito da água proveniente dos rios voadores é absorvido pela floresta. Quando transpiram, as árvores então liberam esse líquido em forma de vapor, fechando o ciclo que novamente alimentará a corrente no céu

6B- Por fim, o rio voador cai em forma de chuva. Mais da metade da precipitação das Regiões Centro-Oeste e Sudeste vem dos rios aéreos da Amazônia. Além desse veio principal, outras 20 correntezas cruzam o céu do país, carregando um volume de água equivalente a 4 trilhões de caixas-d’água de 1 000 litros

CAÇADORES DE NUVENS
Pesquisadores “surfam” as correntezas aéreas para estudar o fenômeno

Desde 2008, um projeto científico tenta conhecer melhor os rios voadores. O líder da pesquisa é Gerard Moss, engenheiro e explorador francês naturalizado brasileiro. O trabalho dele consiste em voar com um monomotor coletando vapor d’água. “Enquanto todos os pilotos evitam as nuvens, eu vou direto para elas”, diz. Em seu avião, Moss caça a umidade usando tubos de 40 centímetros resfriados a 70 graus negativos. Numa temperatura tão baixa, qualquer vapor que entra no tubo se transforma, imediatamente, em água. As gotas são então armazenadas para a análise em laboratório.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Vegetação tropical emite menos CO2 do que se pensava

31/01/2012 07h30 - Atualizado em 31/01/2012 10h33

Vegetação Tropical. 





Vegetaçã tropical emite menos CO2 do que se pensava.


Sumidouros de carbono armazenariam 21% a mais de gases estufa.
Mapeamento de cientistas ajuda na vigilância de países contra o desmate.

Do Globo Natureza, em São Paulo

Estudo publicado na revista científica “Nature” mostra um novo mapeamento feito por cientistas sobre a vegetação tropical do planeta e aponta que as regiões que abrangem florestas, savanas e matas com arbustos guardariam 21% a mais de carbono do que se pensava.
Isto significaria uma desaceleração no desmatamento dessas áreas, consideradas sumidouros de carbono (que absorvem naturalmente este gás de efeito estufa da atmosfera e o armazenam no solo -- mais florestas em pé, menos CO2 emitido). Para se ter ideia, a Amazônia concentraria 30% de todo carbono do mundo (cerca de 100 bilhões de toneladas).
Com uma combinação que utilizou dados de satélite com informações colhidas em campo, pesquisadores das universidades Boston e de Maryland, ambas dos Estados Unidos, criaram um mapa que reúne informações da África, Ásia e América.
Essas estimativas são necessárias e fundamentais para a compreensão da qunatidade de carbono liberado na atmosfera devido às mudanças na cobertura vegetal e uso da terra.
Aquecimento global 
O desmatamento de florestas tropicais é considerado uma importante fonte de emissões de gases de efeito estufa, liberando a 1,1 bilhão de toneladas de CO2 ao ano.
O projeto auxilia nações e projetos ambientais a determinar melhores estimativas de emissões de carbono, necessárias para relatórios emitidos à Convenção Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas (UNFCCC, na sigla em inglês), que apoiam a iniciativa Redd+ (Redução de emissões por desmatamento e degradação).
Greg Asner, ecologista da Carnegie Institution for Science, disse em comunicado divulgado nesta segunda-feira (30) que “a resolução do mapa pode ajudar os países a implementar atividades de melhorar a gestão da floresta e auxiliará no combate às alterações climáticas”.
Mapa estoque de carbono (Foto: Reprodução)Mapa mostra locais onde há armazenamento de carbono em florestas, savanas e outros tipos de vegetações espalhados pelos continentes.(Foto: Reprodução)

08/07/2014 14h08 - Atualizado em 09/07/2014 08h11

Amazônia cresceu após mudança climática há 2 mil anos, diz estudo

Um quinto da bacia da Amazônia foi savana antes de transformação natural.
Além disso, floresta pode ter sido ocupada por agricultores no passado.

Da Reuters
Aves sobrevoam a Floresta Amazônica (Foto: Luiz Claudio Marigo/Conservação Internacional/Divulgação)

Aves sobrevoam a Floresta Amazônica (Foto: Luiz Claudio Marigo/Conservação Internacional/Divulgação)
Faixas da Amazônia podem ter sido pradarias até uma mudança natural para um clima mais úmido há cerca de 2.000 anos ter levado à formação da floresta tropical, de acordo com um estudo que desafia a crença comum de que a maior floresta tropical do mundo é muito mais velha.
A chegada de doenças europeias após Cristóvão Colombo ter cruzado o Atlântico em 1492 também pode ter acelerado o crescimento de florestas com a morte de populações indígenas que utilizavam a região para agricultura, escreveram os cientistas no periódico científico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a "PNAS".
“O ecossistema dominante era mais como a savana do que a floresta tropical que vemos hoje”, disse John Carson, que liderou a pesquisa na Universidade de Reading, na Inglaterra, sobre o sul da Amazônia.
Os cientistas disseram que uma mudança para condições mais úmidas, talvez causadas por alterações naturais na órbita da Terra ao redor do Sol, levaram ao crescimento de mais árvores a partir de 2.000 anos atrás.
Eles encontraram grandes quantidades de pólen de grama em sedimentos antigos de lagos próximos, sugerindo que a região era coberta por uma savana. Eles também encontraram evidências de plantações de milho, o que aponta para a agricultura.Provável savana
Os pesquisadores estudaram aterros feitos pelo homem, descobertos recentemente após desmatamento na Bolívia, que incluíam valas de até 1 quilômetro de comprimento e de até 3 metros de profundidade e 4 metros de largura.
A Amazônia tem sido tradicionalmente vista como uma floresta tropical primitiva e densa, povoada por populações caçadoras-coletoras. Nos últimos anos, no entanto, arqueólogos descobriram indicações de que povos indígenas viveram na selva densa, mas conseguiram abrir espaço de terra para agricultura.
Agricultores viviam na Amazônia
O estudo publicado no periódico "PNAS" sugere uma nova ideia de que a floresta simplesmente não existia em algumas regiões. As “descobertas sugerem que, em vez de ser uma floresta de caçadores-coletores, ou de desmatadores de florestas em grande escala, os povos da Amazônia de 2.500 a 500 anos atrás eram agricultores”, disse a Universidade de Reading em um comunicado.
Carson disse que, talvez, um quinto da bacia da Amazônia, no sul, pode ter sido savana até essas transformações naturais, ao passo que floresta cobriria o território restante.
Em um lago, o Laguna Granja, plantas de floresta tropical somente teriam tomado o lugar da grama como principais fontes de pólen em sedimentos há cerca de 500 anos, sugerindo uma ligação com a chegada dos europeus.
O propósito dos aterros é desconhecido - eles podem ter sido utilizados para defesa, drenagem ou para propósitos religiosos. A compreensão da floresta pode ajudar a resolver enigmas impostos pelas mudanças climáticas.
A floresta Amazônica afeta a mudança climática porque suas árvores absorvem dióxido de carbono, um gás de efeito estufa, à medida que crescem, e o liberam quando apodrecem ou quando são queimadas. O Brasil tem reduzido os níveis de desmatamento nos últimos anos.

Amazônia cresceu após mudança climática há 2 mil anos

08/07/2014 14h08 - Atualizado em 09/07/2014 08h11

Amazônia cresceu após mudança climática há 2 mil anos, diz estudo

Um quinto da bacia da Amazônia foi savana antes de transformação natural.
Além disso, floresta pode ter sido ocupada por agricultores no passado.

Da Reuters
Aves sobrevoam a Floresta Amazônica (Foto: Luiz Claudio Marigo/Conservação Internacional/Divulgação)

Aves sobrevoam a Floresta Amazônica (Foto: Luiz Claudio Marigo/Conservação Internacional/Divulgação)
Faixas da Amazônia podem ter sido pradarias até uma mudança natural para um clima mais úmido há cerca de 2.000 anos ter levado à formação da floresta tropical, de acordo com um estudo que desafia a crença comum de que a maior floresta tropical do mundo é muito mais velha.
A chegada de doenças europeias após Cristóvão Colombo ter cruzado o Atlântico em 1492 também pode ter acelerado o crescimento de florestas com a morte de populações indígenas que utilizavam a região para agricultura, escreveram os cientistas no periódico científico da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, a "PNAS".
“O ecossistema dominante era mais como a savana do que a floresta tropical que vemos hoje”, disse John Carson, que liderou a pesquisa na Universidade de Reading, na Inglaterra, sobre o sul da Amazônia.
Os cientistas disseram que uma mudança para condições mais úmidas, talvez causadas por alterações naturais na órbita da Terra ao redor do Sol, levaram ao crescimento de mais árvores a partir de 2.000 anos atrás.
Eles encontraram grandes quantidades de pólen de grama em sedimentos antigos de lagos próximos, sugerindo que a região era coberta por uma savana. Eles também encontraram evidências de plantações de milho, o que aponta para a agricultura.Provável savana
Os pesquisadores estudaram aterros feitos pelo homem, descobertos recentemente após desmatamento na Bolívia, que incluíam valas de até 1 quilômetro de comprimento e de até 3 metros de profundidade e 4 metros de largura.
A Amazônia tem sido tradicionalmente vista como uma floresta tropical primitiva e densa, povoada por populações caçadoras-coletoras. Nos últimos anos, no entanto, arqueólogos descobriram indicações de que povos indígenas viveram na selva densa, mas conseguiram abrir espaço de terra para agricultura.
Agricultores viviam na Amazônia
O estudo publicado no periódico "PNAS" sugere uma nova ideia de que a floresta simplesmente não existia em algumas regiões. As “descobertas sugerem que, em vez de ser uma floresta de caçadores-coletores, ou de desmatadores de florestas em grande escala, os povos da Amazônia de 2.500 a 500 anos atrás eram agricultores”, disse a Universidade de Reading em um comunicado.
Carson disse que, talvez, um quinto da bacia da Amazônia, no sul, pode ter sido savana até essas transformações naturais, ao passo que floresta cobriria o território restante.
Em um lago, o Laguna Granja, plantas de floresta tropical somente teriam tomado o lugar da grama como principais fontes de pólen em sedimentos há cerca de 500 anos, sugerindo uma ligação com a chegada dos europeus.
O propósito dos aterros é desconhecido - eles podem ter sido utilizados para defesa, drenagem ou para propósitos religiosos. A compreensão da floresta pode ajudar a resolver enigmas impostos pelas mudanças climáticas.
A floresta Amazônica afeta a mudança climática porque suas árvores absorvem dióxido de carbono, um gás de efeito estufa, à medida que crescem, e o liberam quando apodrecem ou quando são queimadas. O Brasil tem reduzido os níveis de desmatamento nos últimos anos.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Pesquisa científica revela os danos à Amazônia

16 DE JUNHO, 2014 - 08H00 - AMAZÔNIA

Pesquisa científica revela os danos à Amazônia

Estudo é o maior já realizado sobre florestas tropicais degradadas

Por: O Liberal
As perdas de carbono na floresta amazônica pela degradação florestal representam até 40% das perdas pelo desmatamento. É o que revela artigo publicado este mês por cientistas brasileiros e britânicos na revista Global Change Biology. O estudo, que coletou amostras de plantas e solos em 225 pontos da região e é o maior já realizado para as florestas tropicais degradadas, aponta a perda de carbono em florestas que passam por perturbações, como extração madeireira e fogo acidental.
A Amazônia tem um papel de destaque na contenção do processo de aquecimento global. Ela estoca cerca de 90 bilhões de toneladas de carbono, o que corresponde a 35% do carbono presente nas florestas tropicais no mundo. No entanto, os pesquisadores mostram que, além da perda de carbono através do desmatamento, a floresta também perde muito carbono quando é degradada. 
A exploração madeireira e os incêndios acidentais na região causam a perda de cerca de 54 milhões de toneladas de carbono, que representam 40% da perda anual pelo desmatamento da floresta, o que não vem sendo contabilizado nos números oficiais. Para se ter uma ideia melhor dessa quantidade, a perda equivale a mais de 40 milhões de carros circulando durante um ano.
Estudo - A pesquisa iniciou em 2009 com pesquisadores da Embrapa Amazônia Oriental, Museu Paraense Emilio Goeldi e Universidade de Lancaster (Reino Unido), no âmbito da Rede Amazônia Sutentável. Ao longo desses anos foram levantados dados de campo em duas regiões da Amazônia Oriental: nos municipios paraenses de Belterra e Santarém, oeste, e Paragominas, nordeste do Pará. Nesses locais foram estudadas 87 mil amostras de plantas e 5 mil amostras de solo. 
A pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, explica que a análise dos dados de campo foi combinada com a análise de imagens de satélite desde a década de 80. “Esse é um dos grandes diferenciais do trabalho, pois realizou-se uma pesquisa detalhada em áreas de florestas degradadas, que normalmente são difíceis de visualizar nas imagens de satélite. Até então as pesquisas com emissões de carbono referiam-se ao desmatamento da floresta, ou então a estudos focados em distúrbios isolados. Este é o primeiro estudo que contempla áreas degradadas e diferentes tipos de distúrbio com um todo”, explica.
A quantidade estocada de carbono foi avaliada em diferentes tipos de florestas: intacta ou primária; com exploração seletiva de madeira; e explorada e queimada (ver infográfico). Para chegar a essa quantidade, a conta é simples: 50% de uma árvore - a parte aérea (folhas) e madeira - é carbono, medida que vale para plantas em geral. Os resultados do estudo nos diferentes tipos de floresta mostram que as perdas de carbono vão de 18% a 57% quando se compara as áreas degradadas às áreas intactas.
A combinação dos danos causados pela extração de madeira e incêndios acidentais pode então transformar as florestas em um mato denso, cheio de árvores e cipós de pequeno porte, resultando em armazenamento 40% menor nos estoques de carbono nas matas degradadas. 
A pesquisadora Erika Berenguer, da Universidade de Lancaster, primeira autora do artigo, explica que a degradação florestal frequentemente começa com a extração de madeiras de alto valor comercial, como o mogno e o ipê. A retirada dessas árvores causa danos a dezenas de árvores vizinhas. “Uma vez que a floresta tenha sido explorada, formam-se muitas aberturas, o que significa que a floresta se torna muito mais seca devido à exposição ao sol e ao vento, o que por sua vez aumenta o risco de fogos acidentais se espalharem por dentro dessas florestas”, afirma. Ela ressalta ainda que desmatamento significa a remoção completa da floresta, enquanto que a degradação significa que a floresta continua em pé, mas tem sua estrutura e suas funções profundamente afetadas. 
“A degradação da floresta é um elemento importante a se considerar no papel que o Brasil desempenha frente às emissões de carbono”, explica Joice Ferreira. Há a necessidade de políticas públicas voltadas para a redução do uso do fogo na agricultura e para o controle da extração ilegal de madeira. 
Para o pesquisador Jos Barlow, da Universidade de Lancaster e do Museu Goeldi, o estudo abre novas perspectivas para entender o uso da terra na Amazônia, os processos de degradação e os impactos da ação do homem sobre a floresta.  “O próximo passo é entender melhor como essas florestas degradadas respondem a outras formas de distúrbios causados pelo homem, especialmente aqueles oriundos das mudanças climáticas, como períodos de seca mais severos e estações de chuva com maiores níveis de precipitação”, finaliza Barlow. 
 Rede - A Rede Amazônia Sustentável (RAS) é um consórcio de trinta instituições brasileiras e estrangeiras, da qual participam mais de 100 pesquisadores que desenvolvem estudos para avaliar a sustentabilidade dos usos da terra no leste da Amazônia. Junto com comunidades locais e organizações não-governamentais, a rede gera conhecimento para o desenvolvimento sustentável da Amazônia. Criada em 2009, a rede é coordenada pela Embrapa Amazônia Oriental, Museu Paraense Emílio Goeldi, Universidade de Lancaster (Reino Unido) e Instituto Ambiental de Estocolmo (Suécia). Para conhecer o trabalho da Rede Amazônia Sustentável visite www.redeamazoniasustentavel.org

domingo, 25 de maio de 2014

FUNDO DE US$ 215 Milhões para a PRESERVAÇÃO da AMAZÔNIA

22/05/2014 08h09 - Atualizado em 22/05/2014 08h09

Fundo prevê US$ 215 milhões para preservação da Amazônia

Investimento será feito pelos próximos 25 anos.
Objetivo é preservar 90 áreas protegidas do bioma brasileiro.

Da Reuters

Ipê amarelo é visto em meio à floresta perto de Novo Progresso (PA). Os fotógrafos Nacho Doce e Ricardo Moraes, da agência Reuters, viajaram pela Amazônia registrando várias formas de desmatamento. Foto de 20/9/2013. (Foto: Nacho Doce/Reuters)
Ipê amarelo é visto em meio à floresta amazônica em Novo Progresso (PA) (Foto: Nacho Doce/Reuters)
O governo brasileiro, a ONG de conservação da natureza WWF e vários parceiros anunciaram investimento de US$ 215 milhões para a preservação da Amazônia, a serem depositados em um fundo de transição que garantirá, pelos próximos 25 anos o financiamento dos 60 milhões de hectares de Unidades de Conservação (UCs).
O fundo, que busca garantir a conservação de mais de 90 áreas protegidas na Amazônia, acontece em um momento no qual novas ações de desenvolvimento ocorrem na região, o que resultou em números maiores de desmatamento no ano passado após anos de baixas recordes.
Sob os termos do acordo, os parceiros no fundo farão contribuições anuais para ajudar o Brasil a obter as necessidades financeiras para as áreas protegidas.
Segundo os parceiros, as contribuições serão feitas de acordo com a exigência do Brasil, incluindo auditorias do órgão do governo que vai administrar o fundo e a continuidade de áreas do governo, tanto em termos de pessoal quanto de financiamento, para administrar áreas florestais.
O dinheiro será utilizado para medidas básicas de conservação, incluindo cercas e sinais para delinear as áreas protegidas e para pagar por veículos utilizados em patrulhas. O governo brasileiro tomou diversas ações contra o desmatamento em 2012, especialmente através da aplicação de leis ambientais e de medidas financeiras como o bloqueio de crédito para companhias e indivíduos que foram pegos fazendo negócios com fazendeiros e outras pessoas conhecidas por explorar ilegalmente terras desmatadas.Financiamento para a Amazônia
Pelo acordo, “o governo do Brasil está se comprometendo ao orçamento e às regulamentações necessárias para assegurar futuros financiamentos para a Amazônia brasileira”, disse em entrevista Carter Roberts, chefe do WWF, que ajudou a estabelecer o fundo.
Recentemente, entretanto, fez mudanças em agências ambientais e regulamentos que, segundo críticos, facilitaram o desenvolvimento de diferentes projetos em áreas protegidas. O governo também alterou as fronteiras de alguns parques de conservação para dar espaço a projetos de infraestrutura, incluindo hidrelétricas em rios da região.
O financiamento para o novo fundo, esperado para durar 25 anos, foi garantido junto a fontes públicas e privadas, incluindo o governo da Alemanha, o Banco Interamericano de Desenvolvimento, o Banco Mundial, filantropos e o Fundo da Amazônia, uma entidade financiada principalmente pelo governo da Noruega e administrada pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A quantia de US$ 215 milhões é calculada como necessária para ajudar o governo brasileiro, durante 25 anos, a tornar-se autossuficiente em termos de financiamento das florestas tropicais.

DESMATAMENTO CAEM 20% NA AMAZÔNIA

24 DE MAIO, 2014 - 07H49 - PARÁ

Alertas de desmatamento caem 20% na Amazônia

Sistema do Inpe detecta melhora entre agosto de 2013 e abril de 2014

Por: O Liberal
Os alertas de desmatamento na Amazônia caíram 20% entre agosto de 2013 e abril de 2014, comparado ao mesmo período de 2012/2013. Os dados, divulgados ontem, são do Sistema de Detecção do Desmatamento na Amazônia Legal em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Seguindo a tendência de diminuição apresentada, em fevereiro, pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a área da Amazônia Legal afetada no período caiu de 1.872,85 quilômetros quadrados para 1.500,53 quilômetros quadrados.
O diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Luciano Evaristo, relatou a Operação Onda Verde, feita em parceria com a Força Nacional, em áreas do norte e nordeste de Mato Grosso e do sul do Pará. No período de agosto de 2013 a abril de 2014, foram apreendidos centenas de equipamentos, como tratores e motosserras, e aplicados 2.401 autos de infração e mais de R$ 1,1 trilhão em multas.
De acordo com Evaristo, em Mato Grosso, há a expansão de áreas com posse, mas o Pará é a terra da grilagem, do laranja (alguém que empresta nome para benefício de outros), e a única forma de combater o desmatamento é fazendo a destruição dos acampamentos e dos equipamentos, com uma ação muito mais intensiva em razão do alto nível da criminalidade que opera na BR-163.
O diretor do Ibama explica que, no eixo da rodovia, no município de Novo Progresso (PA), há a fiscalização em parceria com os indígenas da etnia caiapó, que denunciam a ação de madeireiros ilegais em suas terras. Em uma das operações, foram destruídos 11 acampamentos e 26 motosserras. “Cada motosserra custa cerca de R$ 3 mil e desmata 2,42 hectares por dia. Então além da descapitalização do grupo evitamos o desmatamento”, firmou Evaristo.
De acordo com o presidente do Ibama, Volney Zanardi Júnior, o Deter não mede desmatamentos porque os equipamentos do sistema enfrentam a cobertura das nuvens na época do ano da medição e têm capacidade de detectar apenas áreas desmatadas maiores de 25 hectares. Apesar das limitações, o objetivo do Deter é direcionar as ações de fiscalização do Ibama para os locais apontados pelos satélites.
Taxas anuais de desmatamento na Amazônia Legal são medidas de forma mais precisa pelo Sistema de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal (Prodes), que apresenta relatórios anuais. Para este ano, segundo o presidente do Ibama, “nós aguardamos agora completar esse período Prodes, de agosto a julho, e entregar um número Prodes que realmente apresente uma redução nas taxas de desmatamento que já são muito baixas em relação ao passado”.
Zanardi contou ainda que está em andamento um processo de contratação de brigadas indígenas que vão reforçar o trabalho de combate às queimadas em períodos de estiagem.