clima
Conheça os Rios Voadores
Imagine um rio do tamanho do rio
Amazonas, o maior do planeta, mas invisível! Pois é assim que são os
rios voadores. Com enormes quantidades de vapor de água, eles percorrem o
Brasil de Norte a Sul e são responsáveis por boa parte das chuvas no
país
Thays Prado
Planeta Sustentável- 20/03/2009
Você sabe de
onde vem a chuva? Acertou quem disse: das nuvens cheias de vapor de água
que se condensam quando encontram uma frente de ar mais fria e caem sob
a forma de gotas.
Agora responda: e de onde vem o vapor de água?
Essa resposta não é tão simples quanto a primeira. E muita gente,
inclusive os adultos, pensa que o vapor vem apenas do oceano em direção
ao continente e faz chover quando chega por aqui.
O que os
cientistas e um piloto de avião - o inglês, naturalizado brasileiro,
Gérard Moss - acabaram de descobrir é que boa parte do vapor vem da
Amazônia! Durante um ano e meio, eles voaram em um avião leve,
acompanhando o caminho que os vapores de água faziam até chegarem ao Sul
e ao Sudeste do Brasil.
Os vapores que chegam do oceano
Atlântico, fazem chover na Amazônia. Ali, ¼ da chuva fica nas folhas das
árvores e evapora, voltando para a atmosfera, e mais 2/4 são absorvidos
pela vegetação e também voltam a ser vapor de água por causa da
transpiração das árvores.
A quantidade de vapor de água que sai
da Amazônia é gigantesca! Cada árvore de grande porte da floresta
evapora e transpira 300 litros de água por dia! E quando os ventos não
sopram do mar para o continente, as espertas árvores, mais do que
depressa, usam suas raízes para retirar água dos lençóis freáticos,
garantindo que a evaporação e a transpiração continuem acontecendo com a
mesma intensidade.
Com a “evapotranspiração” das árvores da
floresta, chegam a se formar enormes rios de vapor de água, que são
conhecidos como “rios voadores” e não podem ser vistos a olho nu.
Juntos, os rios voadores têm mais água do que o rio Amazonas, que é o
maior do mundo. A diferença é que, no rio Amazonas, a água está no
estado líquido e nos rios voadores, ela está em estado gasoso.
Dali,
os ventos levam esses rios voadores para perto da Cordilheira dos
Andes, que é bem alta, não deixa os ventos passarem e os empurram de
volta para o Brasil, a Argentina e o Uruguai. Sempre que os rios
voadores estão presentes na atmosfera de uma cidade, a chance de chover é
bem maior (Não entendeu muito bem?
Veja a animação).
Por
isso, é muito importante cuidar da floresta amazônica. Se o ser humano
continuar destruindo suas árvores, a quantidade de vapor de água que
chega ao restante do país vai ficar desregulada. Assim, podem acontecer
grandes tempestades em alguns lugares e secas muito fortes em outros.
Preservar a Amazônia é a melhor saída para evitar que isso aconteça.
O que são os rios voadores?
São imensas massas de vapor d’água que, levadas por correntes
de ar, viajam pelo céu e respondem por grande parte da chuva que rola em
várias partes do mundo
O
principal rio voador do Brasil nasce no oceano Atlântico, bomba de
volume ao incorporar a evaporação da floresta Amazônica, bate nos Andes e
escapa rumo ao sul do país. “O vapor d’água que faz esse trajeto é
importantíssimo para as chuvas de quase todo o Brasil”, afirma o
engenheiro agrônomo Enéas Salati, da Universidade de São Paulo (USP).
Veja a seguir os meandros impressionantes dessa gigantesca corredeira
voadora.
Corredeira voadora
Volume de água que circula pelo céu é similar à vazão do rio Amazonas
1-
O rio voador nasce no oceano Atlântico. A água evapora no mar, perto da
linha do Equador, e chega à floresta Amazônica empurrada pelos ventos
alísios. Esse blocão de vapor passa rasante: 80% dele voa a, no máximo, 3
quilômetros de altura
2- A vazão desse
aguaceiro aéreo é da ordem de 200 milhões de litros por segundo (similar
à do rio Amazonas), fazendo da Amazônia uma das regiões mais úmidas do
planeta, além de provocar as chuvas que desabam diariamente por toda a
região
3- Enquanto passa sobre a floresta, o
rio voador praticamente dobra de volume. Isso ocorre porque, ao absorver
mais radiação do Sol do que o próprio oceano, a mata funciona como uma
gigantesca chaleira, liberando vapor com a transpiração das árvores e a
evaporação dos afluentes que correm no solo
4-
No oeste da Amazônia, a massa de umidade encontra uma barreira de
montanhas de 4 quilômetros de altura, a cordilheira dos Andes, que
funciona como uma represa no céu, contendo a correnteza aérea do lado de
cá
5A- Boa parte do vapor fica acumulada nos
próprios Andes, sob a forma de neve. Ao derreter, essa água desce as
montanhas, dando origem a córregos que, por sua vez, formarão os
principais rios da bacia Amazônica, como o Amazonas
5B-
Nem todo vapor que encontra os Andes fica por ali. Cerca de 40% dessa
cachoeira celeste segue rumo ao sul. A umidade passa por Rondônia, Mato
Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, terminando a viagem no norte do
Paraná, cerca de seis dias depois
6A - Enquanto
flui em caudalosos veios rumo ao mar, muito da água proveniente dos
rios voadores é absorvido pela floresta. Quando transpiram, as árvores
então liberam esse líquido em forma de vapor, fechando o ciclo que
novamente alimentará a corrente no céu
6B- Por
fim, o rio voador cai em forma de chuva. Mais da metade da precipitação
das Regiões Centro-Oeste e Sudeste vem dos rios aéreos da Amazônia. Além
desse veio principal, outras 20 correntezas cruzam o céu do país,
carregando um volume de água equivalente a 4 trilhões de caixas-d’água
de 1 000 litros
CAÇADORES DE NUVENS
Pesquisadores “surfam” as correntezas aéreas para estudar o fenômeno
Desde
2008, um projeto científico tenta conhecer melhor os rios voadores. O
líder da pesquisa é Gerard Moss, engenheiro e explorador francês
naturalizado brasileiro. O trabalho dele consiste em voar com um
monomotor coletando vapor d’água. “Enquanto todos os pilotos evitam as
nuvens, eu vou direto para elas”, diz. Em seu avião, Moss caça a umidade
usando tubos de 40 centímetros resfriados a 70 graus negativos. Numa
temperatura tão baixa, qualquer vapor que entra no tubo se transforma,
imediatamente, em água. As gotas são então armazenadas para a análise em
laboratório.